É seguro fazer a Cirurgia de Mohs na clínica, fora do hospital?
Por Dr. Sandro Simão Corrêa Filho · CRM/SC 17690 · RQE 15370
Publicado em 27/09/2026
Muitos pacientes se surpreendem ao saber que a Cirurgia Micrográfica de Mohs costuma ser feita no consultório. Se é uma cirurgia, fazer fora do hospital é seguro?
Por que a Mohs costuma ser feita fora do hospital?
Na Cirurgia de Mohs, o tumor é retirado em camadas finas, que são examinadas ao microscópio no mesmo dia. Onde ainda houver tumor, só aquele ponto é retirado de novo. Com as margens livres, a ferida é fechada.
Por isso, a cirurgia é feita com anestesia local, com o paciente acordado e confortável. Na grande maioria dos casos não há necessidade de sedação nem de anestesia geral, e não há internação.
Esse formato exige laboratório no mesmo local da cirurgia. Os grandes estudos de segurança da Mohs foram feitos em centros ambulatoriais (Alam et al., 2013; Merritt et al., 2012).
O que dizem os estudos sobre segurança?
Um dos maiores estudos prospectivos acompanhou 20.821 cirurgias de Mohs em 23 centros ambulatoriais dos Estados Unidos (Alam et al., 2013):
Os eventos mais comuns foram infecção da ferida, problemas de cicatrização e sangramento.
Outros estudos confirmam: em 1.550 pacientes não houve nenhuma complicação maior (Merritt et al., 2012), e, comparando 2.397 cirurgias no consultório com 1.540 no hospital, a Mohs se mostrou segura nos dois ambientes (Kimyai-Asadi et al., 2005).
A infecção é rara: 0,91% em um estudo com 1.000 pacientes, sem antibiótico preventivo de rotina (Rogers et al., 2010).
Risco baixo não é risco zero, e por isso cada caso é avaliado antes da cirurgia.
O que torna o consultório seguro para a Mohs?
- Avaliação antes da cirurgia: diagnóstico confirmado, revisão de doenças, alergias e medicamentos, e planejamento do fechamento da ferida.
- Laboratório próprio com estrutura especializada na própria clínica e o tumor examinado no mesmo local e no mesmo dia.
- Espaço planejado para o fluxo do procedimento, da retirada do tumor à análise no laboratório e à reconstrução.
- Equipe treinada e com experiência na Cirurgia de Mohs.
- Técnica asséptica: preparo da pele e materiais esterilizados.
- Orientações claras sobre medicamentos, cuidados com a ferida e cuidados no pós-operatório.
O consultório fica na sala 1103 do Edifício Stein Office, na Rua 7 de Setembro, 777, Centro, Blumenau/SC, com estacionamento pago no próprio edifício, vagas preferenciais, elevador, acesso para cadeira de rodas e banheiro adaptado.
Quando o hospital pode ser também necessário?
Clínica e hospital não competem: cada ambiente tem o seu papel. O hospital pode ser necessário quando há:
- Necessidade de sedação ou anestesia geral.
- Tumor avançado, que exige abordagem multidisciplinar.
- Condição clínica que pede monitorização hospitalar.
A decisão é tomada na consulta. Quando o hospital é o melhor caminho, o paciente é encaminhado.
Como é o dia da cirurgia na clínica?
- Chegada: revisão dos medicamentos e confirmação do local a ser operado.
- Anestesia local: depois da picada inicial, a região fica adormecida e sem dor.
- Primeira camada: o tecido é retirado e mapeado, e a ferida recebe um curativo.
- Laboratório: enquanto você aguarda, o tecido é preparado e examinado ao microscópio pelo próprio cirurgião.
- Novas etapas, se necessário: só o ponto com tumor é retirado de novo.
- Fechamento: com as margens livres, a ferida é fechada com pontos, retalho ou enxerto, ou, em alguns casos, deixada para cicatrizar naturalmente. Dependendo do caso, a reconstrução pode ser feita em um segundo momento.
- Alta no mesmo dia, com curativo e orientações. Os pontos costumam ser retirados entre 5 e 14 dias, conforme o local.
Reserve o período inteiro, alimente-se normalmente, tome os remédios de uso contínuo como de costume (salvo orientação diferente) e venha com acompanhante, principalmente se a ferida for perto dos olhos.
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Referências
- Alam M et al., 2013 (JAMA Dermatology). Adverse events associated with Mohs micrographic surgery: multicenter prospective cohort study of 20,821 cases at 23 centers. PMID 24080866. pubmed
- Merritt BG et al., 2012 (Journal of the American Academy of Dermatology). The safety of Mohs surgery: a prospective multicenter cohort study. PMID 22892283. pubmed
- Kimyai-Asadi A et al., 2005 (Journal of the American Academy of Dermatology). The incidence of major complications from Mohs micrographic surgery performed in office-based and hospital-based settings. PMID 16198783. pubmed
- Rogers HD et al., 2010 (Journal of the American Academy of Dermatology). Prospective study of wound infections in Mohs micrographic surgery using clean surgical technique in the absence of prophylactic antibiotics. PMID 20800320. pubmed