A Cirurgia de Mohs é segura em idosos?
Por Dr. Sandro Simão Corrêa Filho · CRM/SC 17690 · RQE 15370
Publicado em 27/09/2026
O dano causado pelo sol se acumula ao longo de décadas, e o risco de um carcinoma basocelular ou espinocelular aumenta com a idade. Não por acaso, muitos dos pacientes que chegam para tratar um câncer de pele têm mais de 70 anos, e uma parte importante tem mais de 80.
Em um registro espanhol com 2.575 pacientes operados com a técnica de Mohs, cerca de um quarto (24,6%) tinha 80 anos ou mais (Camarero-Mulas et al., 2018).
Se você quer entender melhor o que é a doença, veja também O que é um câncer de pele? e os sinais mais comuns do câncer de pele.
Por que a Mohs costuma ser uma boa opção para idosos?
Na Cirurgia Micrográfica de Mohs, o tumor é retirado em camadas finas, e cada camada é examinada ao microscópio no mesmo dia. Só se retira mais pele onde ainda há células tumorais. Algumas características do método pesam a favor do paciente mais velho:
- Anestesia local. O paciente fica acordado, sem anestesia geral e sem sedação profunda, o que evita boa parte dos riscos anestésicos que mais preocupam a família.
- Sem internação. A cirurgia é ambulatorial: o paciente chega, é operado e volta para casa no mesmo dia.
- Preserva tecido saudável. Isso importa especialmente no rosto (nariz, pálpebras, lábios, orelhas), onde ficam a maioria desses tumores e onde cada milímetro faz diferença para a função e para a cicatriz.
- Altas taxas de cura. Como todas as margens são examinadas, a Mohs está entre os tratamentos com maiores taxas de cura para os carcinomas de pele mais comuns, o que reduz a chance de precisar repetir o tratamento anos depois.
- Tudo em um dia, na maioria dos casos. Retirada do tumor, análise das margens no laboratório próprio e reconstrução costumam acontecer na mesma data, o que facilita o deslocamento.
O que dizem os estudos sobre segurança?
- Pacientes com 90 anos ou mais. Em 115 pacientes com idade média de 92 anos, que tinham em média cerca de duas outras doenças e usavam em média 2,3 remédios de uso contínuo, houve apenas uma complicação (MacFarlane et al., 1997). Em outra série, de 99 pacientes entre 90 e 99 anos, todos toleraram o procedimento sem complicações significativas (Charles et al., 2002).
- Pacientes com 85 anos ou mais. Um estudo com 949 pacientes e 1.683 cirurgias encontrou complicações em 1,78% dos casos, principalmente infecção, abertura dos pontos e hematoma. O risco foi maior em quem usava anticoagulante, em tumores de braços e pernas, quando foram necessárias mais de duas etapas e quando a reconstrução exigiu um retalho (Nemer et al., 2021).
- Comparando idosos com mais jovens. No registro espanhol, os pacientes com 80 anos ou mais tinham tumores maiores e mais profundos e precisaram de mais etapas. Mesmo assim, a taxa de complicações foi a mesma nos dois grupos (7%), e não houve diferença nas recidivas no primeiro ano (Camarero-Mulas et al., 2018). Em reconstruções grandes (retalhos e suturas extensas), um estudo de 2025 também não encontrou diferença significativa de complicações entre pacientes com menos e com mais de 65 anos (Pham et al., 2025).
Complicação rara não é o mesmo que risco zero. Esses números vêm de centros e populações específicas, e cada paciente tem sua própria combinação de saúde geral, medicamentos e localização do tumor. Por isso, a avaliação médica é necessária para cada caso.
Cuidados práticos antes e depois da cirurgia
- Remédios que “afinam o sangue”: em geral, não devem ser suspensos por conta própria. Eles são utilizados para proteger contra outras condições, como infarto e AVC. Em um estudo com 1.911 pacientes, quase metade usava ao menos um remédio que interfere na coagulação e houve sangramento em apenas 0,89% dos casos (Bordeaux et al., 2011). Ainda assim, o uso desses medicamentos aumenta um pouco o risco de sangramento, e cada caso deve ser avaliado individualmente, por isso o médico deve ser comunicado do uso.
- Lista de medicamentos. Leve a lista completa, com doses, ou as próprias caixas. Mantenha os remédios de uso contínuo nos horários habituais, a menos que receba outra orientação.
- Marcapasso ou desfibrilador. Avise a equipe com antecedência. Há cuidados específicos com o aparelho usado para controlar o sangramento durante a cirurgia.
- Próteses e implantes. Avise se tiver prótese de quadril, de joelho ou de outra articulação, válvula cardíaca artificial ou outro implante. Na maior parte das cirurgias de pele não é preciso antibiótico preventivo, mas essa informação ajuda o médico a avaliar cada caso.
- Diabetes. Como a anestesia é local, em geral não é preciso jejum. Alimente-se normalmente, mantenha a medicação e traga um lanche, porque o dia pode ser longo. Confirme essas orientações no agendamento.
- Acompanhante. É recomendado, principalmente se o curativo ficar perto dos olhos ou se o paciente tiver dificuldade de locomoção, de audição ou de memória. Não é indicado dirigir após a cirurgia se o curativo atrapalhar a visão.
- Mobilidade e conforto. O consultório fica na sala 1103 do Edifício Stein Office (Rua 7 de Setembro, 777, Centro, Blumenau/SC), com elevador, acesso para cadeira de rodas, banheiro adaptado, vagas preferenciais e estacionamento pago no próprio edifício. Entre uma etapa e outra há períodos de espera: roupas confortáveis, um agasalho e algo para ler ajudam.
- Sinais de alerta. Procure a equipe se houver sangramento que não para com compressão firme, dor que aumenta com os dias, vermelhidão que se espalha, secreção ou febre.
Perguntas frequentes
Existe idade máxima para fazer a Cirurgia de Mohs?
Não existe um limite fixo de idade. Há estudos com pacientes acima de 90 anos operados com poucas complicações. O que pesa na decisão é a saúde geral, a capacidade funcional, o tipo e o local do tumor e o que o paciente deseja.
Preciso parar o anticoagulante ou o AAS antes da cirurgia?
Em geral, não. Na cirurgia dermatológica, esses remédios costumam ser mantidos, porque suspendê-los pode aumentar o risco de infarto, AVC ou trombose. Nunca interrompa por conta própria: informe todos os remédios na consulta, e qualquer ajuste será combinado com o médico que os prescreveu.
A cirurgia exige anestesia geral ou internação?
Não. A Cirurgia de Mohs é feita com anestesia local, com o paciente acordado, e ele volta para casa no mesmo dia.
Quanto tempo dura o procedimento?
Depende do número de etapas necessárias e do tipo de reconstrução. A maior parte do tempo é de espera, enquanto as camadas retiradas são analisadas ao microscópio. Por isso, recomendamos reservar boa parte do dia e vir com acompanhante.
Tem um familiar com indicação de Cirurgia de Mohs?
Agende uma avaliação com o Dr. Sandro em Blumenau/SC para conversar, com calma, sobre as opções para o seu caso.
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Referências
- MacFarlane et al., 1997 (Dermatol Surg). An assessment of the suitability of Mohs micrographic surgery in patients aged 90 years and older. PMID 9179250. pubmed
- Charles et al., 2002 (J Am Acad Dermatol). Prognostic factors for life expectancy in nonagenarians with nonmelanoma skin cancer: implications for selecting surgical candidates. PMID 12196753. pubmed
- Nemer et al., 2021 (Dermatol Surg). Complications after Mohs micrographic surgery in patients aged 85 and older. PMID 32796326. pubmed
- Camarero-Mulas et al., 2018 (J Eur Acad Dermatol Venereol). Mohs micrographic surgery in the elderly: comparison of tumours, surgery and first-year follow-up in patients younger and older than 80 years old in REGESMOHS. PMID 28898467. pubmed
- Pham et al., 2025 (J Drugs Dermatol). Evaluating postoperative outcomes of Mohs surgery in the elderly: a retrospective review of large repairs. PMID 40327562. pubmed
- Bordeaux et al., 2011 (J Am Acad Dermatol). Prospective evaluation of dermatologic surgery complications including patients on multiple antiplatelet and anticoagulant medications. PMID 21782278. pubmed