O que é um câncer de pele? · Dr. Sandro Simão Corrêa Filho
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O que é um câncer de pele?

Revisão médica: Dr. Sandro Simão Corrêa Filho · MÉDICO · CRM-SC 17690 · Dermatologia, RQE 15370
Data da revisão: 22/08/2026

Câncer de pele é o nome de um grupo de doenças em que algumas células da pele crescem sem o controle normal, e, em certos casos, comprimem, invadem tecidos vizinhos e se espalham para outros órgãos.

Não há uma causa única nem uma aparência única. Quando é necessária a confirmação, ela depende da biópsia e do exame histopatológico do tecido.

O que é uma célula e como ela se transforma?

A pele é feita de células.

Em condições normais, elas crescem, se dividem e morrem de forma ordenada: novas células surgem quando o corpo precisa delas, e células velhas ou danificadas saem de cena.

Às vezes esse ritmo se desorganiza. Células anormais ou danificadas continuam se multiplicando quando não deveriam e podem formar um tumor. Tumor não é sinônimo automático de câncer. Há tumores benignos, que não invadem o tecido vizinho, e tumores malignos.

A transformação de uma célula normal em célula maligna ocorre devido a um acúmulo progressivo de alterações no DNA, em locais que controlam divisão, morte e a relação com as células vizinhas.

O que é DNA e como a radiação ultravioleta pode causar mutações?

DNA é a molécula que guarda as instruções ou “programa” da célula. Genes são trechos desse DNA, usados para produzir proteínas ou RNAs que fazem o tecido funcionar.

A radiação ultravioleta pode ser absorvida pelas bases do DNA da epiderme e deixar uma marca. Se esse dano não for corrigido e a célula mesmo assim se replicar, essa marca pode se fixar como uma mutação.

Uma exposição isolada não significa câncer inevitável. Mutação também não é sinônimo de tumor: a mudança precisa persistir, atingir genes relevantes e se somar a outras. O risco sobe com o acúmulo de dano e com a idade. Outros fatores, como imunossupressão, radioterapia e certos tipos de exposições ambientais também podem elevar o risco.

Esquema educativo: radiação UV atinge a célula da epiderme, causa dano local no DNA, que pode ser reparado ou persistir até a replicação e virar mutação.
Figura 1. Esquema educativo sobre dano UV, reparo e mutação.
Vídeo 1. Esquema educativo. A animação não representa uma sequência molecular exata.

Câncer de pele: é genético ou é o sol?

Câncer é uma doença genética no sentido técnico: envolve alterações em genes que controlam o crescimento e a divisão da célula.

Isso não quer dizer que a pessoa “herdou o câncer”. As mutações restritas às células do tumor são adquiridas ao longo da vida, por dano ambiental, erro na divisão ou envelhecimento. Elas não passam para os filhos.

O que pode ser herdado é uma predisposição genética; há síndromes genéticas raras que aumentam esse risco.

Por que o crescimento dessas células causa problemas?

Um tumor pode deformar ou comprimir o que está ao lado. Isso acontece em tumores benignos e malignos, e não define malignidade.

O problema central do câncer é outro: as células infiltram, substituem e destroem a arquitetura normal. Essa infiltração pode comprometer estruturas próximas, conforme o tipo, a extensão e o local do tumor.

Células de carcinoma basocelular vistas ao microscópio, com uma seta apontando um ninho de células tumorais.
Figura 2. Exemplo. Células de carcinoma basocelular visto ao microscópio. A seta aponta um ninho de células tumorais.
Células de carcinoma de células escamosas vistas ao microscópio.
Figura 3. Exemplo. Células de carcinoma de células escamosas visto ao microscópio.

Imagens ilustrativas, feitas para explicar o conceito. Não são lâminas de pacientes.

Outro problema é a metástase: quando essas células se desprendem do tumor original e formam um novo tumor em um linfonodo ou órgão distante.

Quem já teve câncer de pele pode desenvolver outro?

Pode. E aqui cabem dois conceitos importantes:

Recidiva é o reaparecimento do mesmo câncer após o tratamento.

Novo tumor é outro tumor que surge de forma independente. Quem já foi tratado tem risco maior de desenvolver outro câncer de pele. O risco varia de acordo com cada caso, idade, número de tumores anteriores e exposição solar.

Ter tido um câncer de pele não significa que outro aparecerá de forma inevitável. Significa que o histórico justifica acompanhamento.

Se você tem dúvida sobre uma lesão de pele ou já teve um câncer de pele, a avaliação presencial permite integrar o exame clínico ao que for necessário no seu caso. Nenhuma conduta se define por este artigo.

Agende uma avaliação com o Dr. Sandro. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.

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Aviso educativo: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica, diagnóstico ou conduta individual. Não serve para autodiagnóstico nem para indicação de exame ou tratamento à distância.

Referências

  1. National Cancer Institute. What Is Cancer? cancer.gov
  2. National Cancer Institute. The Genetics of Cancer. cancer.gov
  3. Hemminki K et al. DNA photodamage and repair in human skin. IARC Scientific Publication. iarc.who.int
  4. National Cancer Institute. Skin Cancer Treatment (PDQ®): Patient Version. cancer.gov
  5. American Academy of Dermatology. Skin cancer: symptoms, diagnosis, and causes. aad.org
  6. Karagas MR et al. Risk of subsequent basal cell carcinoma and squamous cell carcinoma of the skin among patients with prior skin cancer. JAMA. 1992;267:3305. PMID 1597912. pubmed